O que o Governo de Moçambique Não Quer que Você Saiba sobre a Economia do País

O que o Governo de Moçambique Não Quer que Você Saiba sobre a Economia do País

O noticiário oficial em Moçambique pinta frequentemente um quadro de progresso económico constante, impulsionado por grandes projetos de recursos naturais. No entanto, o que fica muitas vezes nas entrelinhas, e o que o Governo não quer que seja o foco central, é a persistente fragilidade estrutural e a desigualdade que minam este crescimento.

A Realidade da Dívida e da Vulnerabilidade

Um dos aspetos mais críticos é a gestão da dívida pública. Embora o escândalo das “dívidas ocultas” de 2016 tenha tido repercussões devastadoras e levado a um default, a narrativa governamental tende a minimizar o risco contínuo de uma nova espiral de endividamento. O país, altamente dependente do investimento estrangeiro e da exportação de commodities como o carvão e, futuramente, o Gás Natural Liquefeito (GNL), está perigosamente exposto às flutuações dos mercados globais. Esta dependência torna a economia vulnerável a choques externos, um ponto que a comunicação oficial prefere suavizar.

O Contraste entre Riqueza e Pobreza

O GNL é a grande promessa. O Governo enfatiza o potencial de bilhões de dólares em receitas, mas há uma omissão crucial: a forma como essa riqueza será distribuída. A verdade inconveniente é que o atual modelo de desenvolvimento, focado em megaprojetos extrativos, tem agravado a desigualdade social. Uma pequena elite próxima ao poder beneficia desproporcionalmente, enquanto a maioria da população nas zonas rurais e semiurbanas continua a lutar contra a pobreza crónica, a falta de emprego digno e o acesso limitado a serviços básicos como saúde e educação. A performance económica não se traduz, de forma eficaz, em melhoria de vida para o cidadão comum, uma falha que dificilmente será admitida abertamente.

A Questão da Transparência e Governança

Por fim, a falta de transparência na gestão dos fundos públicos e dos contratos dos megaprojetos é uma sombra constante. O que o Governo prefere manter discreto é a necessidade urgente de reformas profundas de governação para combater a corrupção endémica, que desvia recursos vitais para o desenvolvimento. Sem uma prestação de contas robusta e uma melhoria na gestão pública, a “bonança” do GNL corre o sério risco de se tornar apenas mais uma oportunidade perdida para tirar Moçambique da sua armadilha de pobreza.

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